Recebedores do Bolsa Família são 85% dos contratados no mercado formal
Os beneficiários do programa Bolsa Família representam 85% dos trabalhadores admitidos no mercado formal, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O estudo analisou admissões, desligamentos e saldo líquido de empregos formais a partir dos registros no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
De acordo com o levantamento, foram registrados quase 92 milhões de admissões no período, e cerca de 87 milhões de desligamentos. Com um saldo positivo de quase 5,4 milhões de postos de trabalho. Desse total, 4,6 milhões de vagas foram ocupadas por pessoas que recebem o Bolsa Família.
O pesquisador do Centro de Estudos Empíricos em Economia da FGV, Valdemar Pinho Neto, comenta os resultados.
“É uma análise mais descritiva, não permite fazer inferência causal. O objetivo do estudo também não é esse, mas sim fazer um recorte que é interessante do ponto de vista de políticas públicas, entender qual é a contribuição desses recipientes do programa Bolsa Família no total de empregos gerados no período”.
A maioria dos empregos formais gerados foi preenchida por trabalhadores jovens, pardos, mulheres e pessoas com ensino médio completo.
Norte e Nordeste em destaque
Na distribuição por território, todos os estados e o Distrito Federal tiveram saldo positivo, com mais pessoas admitidas do que desligadas dos empregos formais.
São Paulo lidera com mais de 1 milhão de novos postos, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. O mercado de trabalho maior na região Sudeste costuma concentrar mais admissões e desligamentos.
No entanto, a análise faz um cálculo do quanto desse saldo dentro de cada estado se refere a beneficiários do Bolsa Família. Nesse recorte, o destaque fica para estados do Nordeste e do Norte, como Maranhão, Alagoas, Ceará, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Acre, Pernambuco e Sergipe, como explica Valdemar Pinho Neto.
“Quando a gente relativiza por tamanho do mercado de trabalho local, que dá uma ideia da capacidade, também, que cada lugar tem de gerar empregos formais, a gente observa uma participação grande do Nordeste contribuindo relativamente mais para esse percentual. A gente percebe que a participação relativa de beneficiários de Bolsa Família na geração de empregos formais ainda é relativamente maior no Nordeste”.
O estudo ressalta que não é possível avaliar a qualidade dos postos gerados, a estabilidade do vínculo e a permanência do trabalhador no emprego a partir desse tipo de levantamento.
Os pesquisadores destacam ainda a importância de políticas públicas para a qualificação profissional, transferência de renda e continuidade no emprego, buscando diminuir a situação de vulnerabilidade social.
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