Mudanças climáticas aumentam os problemas respiratórios em crianças
O avanço de um El Niño que deve se estender até fevereiro do ano que vem preocupa profissionais de saúde pelos impactos no sistema respiratório, em especial de crianças.

Calor forte, chuva, tempo seco, frio, todas essas mudanças no tempo já afetam quem tem algum tipo de sintoma. No Hospital Geral de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, entre abril e julho, 82% das internações pediátricas foram registradas por doenças respiratórias.
O médico alergista Marcello Bossois afirma que as variações de temperatura são o grande problema.
“Elas é que vão fazer com que o paciente tenha uma piora respiratória, e aumente o índice de asma e, consequentemente, aumentando isso, e doenças alérgicas respiratórias, a gente acaba tendo também, em consequência, doenças infecciosas respiratórias. Então, se aumenta a posição do muco, esse muco de meio de cultura para bactéria, as bactérias proliferam e acaba, então, havendo um aumento de pneumonia. Então, por isso que as crianças, elas acabam sendo as mais afetadas, não só por pneumonias bacterianas, provocadas por bactérias, mas também pneumonias virais, principalmente o vírus sincicial respiratório, que é o vírus causador da bronquiolite.”
Com as chuvas, os raios ajudam a espalhar agentes causadores de alergia, explica o médico.
“A partir do momento que você tem essas descargas elétricas que trocam energia entre a atmosfera e o solo, você acaba tendo uma maior fragmentação dos alérgenos, principalmente pólen e mofos. E você acaba tendo um potencial alergênico maior. Parece que explode um mundo, por assim dizer, de doenças alérgicas, como a rinite polínica, como a asma e etc. E isso também pode acontecer em outras regiões do Brasil, mas nesse caso seria mais comum com o mofo, com os esporos do mofo, é, dos fungos.”
Além das questões respiratórias, as chuvas provocam o aumento da proliferação de insetos e os pernilongos, o que pode levar a alergias a picadas de mosquito. Se uma ferida se abrir ao coçar no local da picada, existe uma possibilidade de infecção por bactéria de pele, alerta Marcello Bossois.
O alergista reforça que, se a pessoa tem sintomas de rinite crônica, nariz entupido ou com coceira, coriza, secreção, deve procurar ajuda médica evitar a evolução do quadro para uma asma. Também é indicado investigar em caso de tosse persistente, falta de ar ao fazer algum esforço ou desconforto respiratório ao fazer atividade física.
Um dos testes que pode ser realizado é a espirometria, conhecida como “teste do sopro”. Esse exame mede a quantidade e a velocidade do ar que entra e sai dos pulmões.
Neste mês, o projeto Brasil sem Alergia realiza mutirões gratuitos de teste no Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Para saber onde ser atendido e agendar a consulta, basta acessar o site brasilsemalergia.com.br.
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