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Autor do impeachment de Dilma, Miguel Reale Junior declara apoio a Lula e critica Flávio

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O advogado Miguel Reale Junior, um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), declarou nesta quarta-feira (8) apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026.

Em uma carta publicada no Instagram, intitulada “Cuidado com o precipício”, Reale Junior criticou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), principalmente pelas propostas de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Cada eleitor de Flávio deve ficar ciente de que ao escolhê-lo está a admitir a anistia, ou seja, referendando a invasão das sedes dos três Poderes e a tentativa de anulação pela força da eleição fidedigna de 2022. Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia”, escreveu.

O jurista também acusou Flávio de permitir interferência dos Estados Unidos no Brasil ao apoiar a classificação, pelo presidente americano Donald Trump, de grupos do crime organizado como terroristas. Segundo Reale, a medida abre espaço para uma possível intervenção norte-americana.

Reale Junior ainda criticou as referências de Flávio ao modelo de segurança pública de El Salvador, que classificou como marcado por um “longo aprisionamento em massa preventivo de milhares de indagados, criando-se um estado policial opressor pavoroso”. Para ele, a eleição do candidato do PL poderia resultar em “repressão indiscriminada, sem o devido processo penal”.

“Se é certo que o PT e o próprio Lula revelam o desgaste do tempo e permeia a sociedade um cansaço com o discurso petista, todavia, uma coisa é segura: com os governos petistas não se instala a apologia ou a tentativa do golpe militar, se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco. Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício. Dentro de quinze dias resolve-se o destino do Brasil e desejo ardentemente que não vivamos sob o signo da violência”, afirmou.

O advogado também citou o resultado das eleições para o Congresso Nacional como um fator de preocupação. Segundo ele, foram eleitos parlamentares de “direita radical” que são “contra direitos das minorias, contra cotas, contra o feminismo, em prol da redução da maioridade penal ou associando povos indígenas a canibalismo”.

Embora tenha defendido uma terceira via em 2022, Reale Junior também apoiou Lula naquele ano, ainda no primeiro turno. Na ocasião, afirmou que a decisão buscava “evitar um mal maior” e considerou que o petista não representava uma “ameaça de golpe”.

No último dia 4, Lula terminou o primeiro turno das eleições de 2026 em segundo lugar, com 45,16% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou em primeiro, com 47,03%.

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