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Entre o mapa e as urnas: Jerônimo amplia domínio e ACM Neto perde três das 20 maiores cidades

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Matéria originalmente publicada no Jornal Metropole na edição de 09 de outubro de 2026

A Bahia ficou maior para Jerônimo Rodrigues (PT) e menor para ACM Neto (União Brasil). Não porque o governador tenha partido de um mapa equilibrado — já era majoritário em número de municípios em 2022 —, mas porque ampliou ainda mais essa vantagem.
 A diferença que quatro anos atrás era mais apertada nas urnas agora também se alargou pelo território, enquanto Neto preservou grande parte de sua força entre os maiores colégios eleitorais do estado.

Vamos aos números: Jerônimo venceu em 376 dos 417 municípios baianos. Neto levou a melhor em 41. Em 2022, a conta era de 352 cidades para o petista e 65 para o ex-prefeito de Salvador. Em quatro anos, portanto, Jerônimo ganhou 24 municípios que antes estavam no mapa de Neto.

Tomada de terreno

O avanço territorial veio acompanhado de uma vitória mais larga nas urnas. No primeiro turno de 2026, Jerônimo foi reeleito com 55,8% dos votos, cerca de 4,6 milhões, contra 43,72% de Neto, com 3,6 milhões. Uma diferença de aproximadamente 1 milhão de votos e 12 pontos percentuais. 

Há, porém, uma ressalva importante nessa comparação. Em 2022, os dois foram ao segundo turno. Jerônimo venceu naquela ocasião com 52,79%, contra 47,21% de Neto — uma diferença de 5,5 pontos. 
Perdas e ganhos

É quando se olha para as 20 maiores cidades da Bahia que a fotografia fica mais interessante. Em 2022, Neto venceu em 16 delas. Jerônimo, em apenas quatro. Agora, o equilíbrio mudou: Neto ganhou em 13, enquanto Jerônimo conquistou sete.
A oposição, portanto, perdeu terreno, mas não desapareceu dos grandes centros. ACM Neto continua tendo uma força expressiva justamente onde estão alguns dos maiores eleitorados do estado.

Neto também venceu em Feira de Santana, com 53,33%; Vitória da Conquista, com 51,47%; Ilhéus, com 56,15%; Itabuna, com 54,15%; e Jequié, com 54,27%. levou ainda Lauro de Freitas, com 58,83%; Porto Seguro, com 59%; e Teixeira de Freitas, com 56,09%. Em Camaçari, por outro lado, a disputa foi no detalhe: Neto teve 49,75%, contra 49,71% de Jerônimo. Uma diferença de apenas quatro centésimos.

A mudança ficou pelo caminho, e Salvador também

O resultado também expôs o limite da estratégia de ACM Neto de apresentar a eleição como uma escolha entre a continuidade do PT cristalizada em Jerônimo Rodrigues e a mudança. A bandeira não produziu a virada esperada. Pior: a mensagem oposicionista encontrou resistência até mesmo em parte dos territórios onde a força do ex-prefeito parecia mais consolidada.

Salvador, principal trunfo eleitoral de Neto, é o melhor retrato dessa alteração de cenário. Na capital, ele continuou vencendo, mas sua vantagem encolheu de maneira expressiva. No segundo turno de 2022, Neto havia obtido 64,51% dos votos válidos, contra 35,49% de Jerônimo — frente de aproximadamente 456 mil votos. 

Agora, no primeiro turno, a proporção foi de 54,32%, contra 44,51% do governador. Foram 769.752 votos para Neto e 630.677 para Jerônimo, reduzindo a distância para cerca de 139 mil votos.

Distância reduzida

É uma diferença que ajuda a explicar por que o resultado da capital, embora favorável a Neto, ficou longe de compensar a vantagem construída por Jerônimo no restante da Bahia. A expectativa de uma frente superior a 500 mil votos em Salvador acabou reduzida a menos de um terço disso. 

O ex-prefeito preservou seu principal reduto, mas não conseguiu transformá-lo na plataforma de mudança capaz de interromper a continuidade do PT no governo baiano. E não demora muito para que a disputa pela prefeitura em 2028 comece a aparecer no horizonte. 

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